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Debate propõe a utilização de múltiplas formas de produção de conteúdo

24/03/2011
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17:41
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Fórum TV Pública – 27/05/09

O debate sobre a programação da TV Pública reuniu parlamentares, especialistas, representantes do Ministério da Cultura, diretores de emissoras públicas de televisão e representantes do campo público. A última mesa do segundo dia do II Fórum Nacional de TVs Públicas foi marcada pela enumeração de sugestões de modelos de produção independente, regionalização, conteúdos, multiplataforma, interatividade e multiprogramação. E também pela citação de exemplos bem-sucedidos, empreendidos pela TV Cultura, pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e até mesmo pela jovem TV Brasil.
Póla Ribeiro, diretor-presidente do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia, em nome dos representantes do campo público de televisão, argumentou que, antes de mais nada, é preciso trabalhar na busca de uma identidade própria para as TVs públicas, que revele a afinidade existente entre elas e afirme também suas distinções. Para chegar a isso, propôs a busca de mecanismos de capacitação dos profissionais de comunicação e telecomunicação do campo público, o fomento à estruturação de grupos de trabalho permanentes, o fomento à produção independente, a construção de modelos de grade de rede do campo público de televisão, um inventário de acervos locais existentes e disponíveis, a criação de um código de ética e a realização de estudo específico para regulamentar a distribuição e o licenciamento de programas e produtos da TV pública. Segundo ele, "nada mais justo do que a televisão pública exibir os conteúdos produzidos pelos recursos públicos e que a televisão dê visibilidade a estes conteúdos".
O senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) se disse um entusiasta de primeira hora da TV pública brasileira e destacou três pontos essenciais para o desenvolvimento do setor. No primeiro, gestão, ele propõe a consulta a diversas entidades, para que manifestem o que desejam ver na TV pública. Sobre conteúdo especificamente, Cristóvam confessou desejar ver nas emissoras do campo público o debate de grandes temas nacionais que não estão encontrando espaço nem dentro do Congresso Nacional. E no campo da diversidade, o senador avisou: "Ela precisa contemplar todas as regiões do País e buscar um estilo alegre, bem-humorado. Que se possa fazer um programa nos moldes, por exemplo, do CQC, que a reflexão não seja marcada por um tom sério". Fora do plenário, o senador ainda confessou ao presidente da ABEPEC, Antonio Achilis, que vai criar a Frente Parlamentar da TV Pública no Senado Federal.
Segundo Gabriel Priolli, coordenador de Conteúdo e Qualidade da Fundação Padre Anchieta - TV Cultura, a televisão no Brasil ainda é feita de forma verticalizada: produz a maior parte do que exibe e um passo essencial seria uma abertura para a produção independente. Mas Priolli ressaltou que, para isso, seria preciso que a produção independente brasileira tivesse um foco mais claro na televisão. "Por enquanto, eles visam a televisão, apenas como janela para a exibição", adiantou. Para o especialista, que é presidente de honra da ABTU, a prioridade da regionalização deve ser incentivar a produção de conteúdos próprios, para que as comunidades se vejam na TV e se identifiquem com ela. "Mas para isso é preciso financiamento para capacitação das equipes e nisso os governos locais têm papel fundamental e precisam estar adequados a isso. Há uma inflexibilidade muito grande e é preciso adequar-se aos novos modelos de mídia, à convergência de mídias. Produzir conteúdos e operar em ambientes multi-mídia", ressaltou.
Antes mesmo de falar da experiência de um ano à frente da Empresa Brasileira de Comunicação, a jornalista Tereza Cruvinel agradeceu a contribuição do senador Cristóvam Buarque e avisou que todas as sugestões do parlamentar eram bem-vindas, embora adiantasse que o conselho gestor da EBC já é plural e bastante representativo da sociedade brasileira. Cruvinel afirmou que a melhor programação, se não for distribuída, é um exercício diletante. "Há um mito de que as televisões públicas não precisam de audiência. Concordo que elas não devem fazer concessões em busca de audiência, mas devem buscar sim crescer as audiências", afirmou.
Segundo informou Tereza Cruvinel, os programas jornalísticos são indelegáveis por seguirem uma linha editorial da televisão. Mas a TV Brasil trabalha com fontes diferentes de conteúdo. A primeira é a parceria com a produção independente, responsável por programas como Revista do Cinema Brasileiro. Uma segunda fonte são os programas de rede ou decorrentes da relação com outros canais do campo público. "Nós licenciamos, para a nossa exibição, programas da TV Cultura, como Roda Viva", adiantou. Outro caminho, para Cruvinel, é o modelo de Rede Pública. Neste sentido, a EBC está concluindo a negociação com 26 emissoras ligadas à ABEPEC para a produção de programas com conteúdos.
Outras fontes ainda são as parcerias com pontos de cultura e com o Ministério da Cultura e co-produções com as televisões públicas. Mas para a jornalista, cabe ao Congresso Nacional estabelecer as normas de utilização da multiprogramação.
O diretor de Programas e Projetos Audiovisuais do Ministério da Cultura, Adilson Ruiz, fez um relato de experiências bem-sucedidas e outras que estão em andamento dentro da SAV. Enumerou programas da Secretaria especialmente voltados para a televisão, como o DOCTV IV (que conta com 35 documentários feitos em convênio com a ABEPEC e 20 com televisões públicas regionais), o DOCTV Iberoamérica (que deve mudar de nome e tornar-se Latino-América), feito com 14 documentários, Curta Criança, AnimaTV e FICTV Mais Cultura (que estão já na segunda etapa de implantação), Nós na Tela (em formatação) e DOCTV CPLP (em andamento). O especialista convidou, em nome do Ministério da Cultura: "Estamos abertos para discutir novos projetos para o campo público da televisão".
Falando em nome da ANCINE, o diretor Paulo Alcoforado disse que a Agência Nacional do Cinema tem interesse em desenvolver projetos de obras seriadas. Também estimulou a parceria de produtores de cinema com a ABEPEC para projetos de divulgação de lançamento de longas-metragens pelas televisões públicas. Mas disse que é preciso antes pensar na sustentabilidade da produção brasileira: "É justo que os filmes sejam licenciados para isso. Os produtores independentes precisam recuperar os seus investimentos".
Fechando o debate, o deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), que atua Comissão de Ciência e Tecnologia, disse que esteve na semana passada na reunião promovida pela ABERT - Associação Brasileira de Rádio e Televisão. Na ocasião, ele percebeu que toda esta perspectiva de futuro da televisão (multiprogramação, interatividade, multiplataforma) que para a ABERT é uma ameaça, para as televisões públicas é uma oportunidade. "O que foi descrito por eles (Abert) como tempestade que se forma, para vocês (Campo Público) é um mundo de oportunidade", encerrou.