Programa discute a atuação de crianças nas emissoras de tevê nesta sexta (21)
Trabalhar na TV pode parecer só uma forma de diversão para algumas crianças. No entanto, ao se submeterem à rotina de gravação ou aos horários rígidos de programas ao vivo, os jovens percebem os limites da brincadeira. Na verdade, estão no mundo do trabalho, com suas leis e regulamentos.
Para debater o trabalho de crianças em atrações televisivas, o Ver TV desta sexta (21), às 20h, na TV Brasil , recebe especialistas na questão. O apresentador Lalo Leal conversa com o procurador do Ministério Público do Trabalho do Pará, Rafael Marques ; a advogada Sandra Cavalcante , autora do livro “Trabalho Infantil Artístico: do deslumbramento à ilegalidade”; e o advogado Antônio Galvão Peres , doutor em direito do trabalho pela USP.
“A Constituição veda qualquer trabalho para menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz”, explica o advogado Rafael Marques, vice-presidente da coordenação nacional de combate à exploração do trabalho de crianças e adolescentes.
Para Sandra Cavalcante, especialista em direito do trabalho, questiona a 'celebrização' precoce desses jovens. “Vivemos em uma era que a exposição a essa telinha ganha um glamour, uma admiração, que é como se não existisse ali por trás muito trabalho e muito esforço”.
“O papel dos pais nessa situação é muito importante. Se há o pai que quer ter algum tipo de lucro com essa atividade, também há aquele pai que está preocupado com o desenvolvimento da criança”, defende o advogado Antônio Galvão Peres, coautor do artigo “Trabalho artístico da criança e do adolescente: valores constitucionais e normas de proteção”.
Histórico da controvérsia
A polêmica relacionada ao trabalho infantil artístico é antiga. O programa destaca o caso emblemático e trágico do ator mirim Fernando Ramos da Silva que nas telonas interpretou “Pixote” no filme homônimo de Héctor Babenco. Já na tevê, as crianças participam de novelas, séries e apresentam programas infantis há muito tempo, como a atração infantil “Balão Mágico” e a série “Armação Ilimitada”, ambos dos anos 1980. Na publicidade, os jovens também estão sempre presentes.
Nos anos 2000, a atriz, cantora e apresentadora mirim Maísa foi um dos exemplos mais claros de exploração do trabalho infantil no meio artístico. A menina chegou a apresentar um programa infantil diário, já se emocionou ao ser vítima de uma pegadinha e foi alvo de zombaria de uma atração humorística.
Recentemente, as crianças Matheus Ueta e Ana Julia foram impedidas pela justiça de apresentar um programa infantil. Após quinze dias, o juiz auxiliar da Infância e Juventude do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, Dr. Flavio Bretas Soares, reconsiderou sua decisão anterior e concedeu alvará para que os jovens de 11 e 8 anos voltassem às telinhas.
Em julho, o juiz também havia proibido os atores-mirins Matheus Braga, de 13 anos, e Kaleb Figueiredo, de 10, de atuar no espetáculo “Memórias de um Gigolô”, de Miguel Falabella, por considerar o texto inapropriado. O ator e diretor criticou o veto.
O impacto da fama, a pressão e a dificuldade em conciliar o trabalho com os estudos é o mesmo, senão maior, do que em outros trabalhos. O Ver TV desta semana ainda traz uma entrevista com a preparadora de elenco Fátima Toledo, que trabalhou nos filmes “Pixote” e “Cidade de Deus”. Ela comenta os cuidados necessários na preparação de um elenco infantil.
Serviço
Ver TV – sexta-feira (21) às 20h, na TV Brasil.