Estúdio Móvel recebe fotógrafos Paulo Barcellos e André Liohn nesta quinta (2)
Ao longo dos séculos, a possibilidade de reter instantes do tempo em uma imagem tem seduzido muitas pessoas. E nessa busca, alguns fotógrafos arriscam a própria vida. O que motiva uma pessoa a ousar tanto apenas por uma imagem? Será que ela vale mesmo mais do que mil palavras?
A apresentadora Liliane Reis recebe dois artistas destemidos no Estúdio Móvel desta quinta (2), às 20h50, na TV Brasil: o surfista Paulos Barcellos e o fotógrafo de guerra André Liohn. Com muita coragem, eles produzem fotos na terra e nos mares. São imagens lindas, mas bem diferentes que têm em comum o risco.
Referências em suas áreas de atuação, os convidados explicam como essas experiências internacionais transformam suas vidas. Eles ainda comentam os desafios da profissão, a sensação de clicar cenas incríveis, a decisão no recorte da câmera e os dilemas na hora de se fazer uma escolha.
Campeão mundial de bodyboard em 2000, Paulo Barcelos trocou a prancha pela câmera há cinco anos, mas sem perder a onda. Paulista criado no Rio de Janeiro, o surfista capta belas imagens em ângulos inusitados, bem na zona de impacto. Na entrevista com Liliane Reis, o fotógrafo aquático mostra os equipamentos que utiliza ao mergulhar e relata algumas de suas experiências no mar.
“O maior risco é você estar filmando ou fotografando e bater nas pedras. Tive um acidente bem sério nos meus primeiros 20 dias de profissão. Bati na pedra em uma onda famosa, a Pipeline. Precisei operar o ombro e fiquei nove meses fora da água. O Havaí é bem perigoso porque a onda é muito forte e em geral são locais muito rasos”, recorda Paulo Barcellos.
O surfista menciona ainda as oportunidades em que esteve de frente para animais marinhos em pleno mar da Oceania. “Já me deparei com vários tubarões. Ele não foi feito para morder o ser humano, principalmente no Taiti onde vivi e existem muitos peixes. Quase não presenciei ataques”, reflete sobre os momentos de tensão.
Paulo também conta sua técnica para fotografar em situações difíceis, como dentro de um tubo. “Tento me posicionar na linha do surfista. Filme e fotografo e, quando a onda me engole, mergulho. Às vezes volto com a força da onda. É preciso ter bastante preparo físico. Mas já estou acostumado. A transição do bodyboard para a fotografia foi bem tranquila”, conta que mudou de profissão após vencer a etapa do Pipeline em 2009 quando decidiu aposentar a prancha.
“No trabalho com o surf, a luz não muda muito. A variação é pouca. Não precisa regular tanto como em um estúdio fechado”, ensina Paulo.
Já André Liohn registrou conflitos no Egito, na Síria e na Líbia. Em 2012, ele foi o primeiro fotógrafo da América do Sul reconhecido com o Robert Capa Gold Medal Award, mais importante prêmio mundial para fotografia de guerra.
“Eu comecei a cobrir conflitos em um momento de muita insatisfação na minha vida com o mundo mesmo. Tinha o desejo de ver a história de perto e perdi um amigo fotógrafo assassinado na Somália. Essas questões pessoais me incentivaram”, conta.
André aborda a rotina nômade que enfrenta ao visitar as zonas de risco frequentemente. “Vivi durante quase duas décadas na Noruega, há dois me mudei para a Itália e hoje já não moro basicamente em lugar nenhum”, revela.
Serviço:
Estúdio Móvel – quinta-feira (2), às 20h50, na TV Brasil.