TV Brasil discute universo feminino no cinema
Curtas abordam sagrado feminino e violência contra a mulher
A edição desse sábado do Curta em Cena acolhe múltiplas representações do universo feminino trazendo os filmes “Ikini”, de Fernanda Rondon, e “Crônicas do meu silêncio”, de Beatriz Pessoa. A jornalista Tâmara Freire conversa com as cineastas sobre suas produções no programa que vai ao ar neste sábado (4), às 23h, na TV Brasil.
Com narrativas bem distintas, os curtas, de oito minutos cada, propõem reflexão sobre os afetos e desafios de ser mulher no mundo.
Lançado em 2016, IKINI é um filme sobre as conexões entre a natureza e o corpo feminino incorporando a ideia de que assim como a terra é marcada pelo tempo, cada corpo traz uma escrita invisível cravada na pele ao longo da vida.
No bate-papo, entremeado com trechos do filme, Fernanda Rondon fala sobre a a conexão entre a natureza e o corpo tratada na obra e aponta que ela está além gênero." O sagrado feminino é essa conexão que a gente tem, ou que deveria ter, com o a natureza, com os clclos, com o sagrado, com isso que é maior que a nossa mente nos faz acreditar que existe" explica a cineasta.
Gravado num santuário isolado na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, o curta traz uma intersecção com a dança, com o gestual, retratando a busca por tornar o impalpável palpável e a relação com o tempo. A trilha sonora com poucas notas e uma cadência repetitiva foi criada basicamente a partir de xilofone de vidro. O título da obra, Ikini, significa "saudação" em iorubá, um idioma de origem africana usado nos rituais das religiões afro-brasileiras.
No segundo bloco, o Curta em Cena aborda "Crônicas do meu silêncio". Produzido em 2016, o filme é um manifesto sobre a violência contra a mulher no cotidiano retratada em três depoimentos.
A diretora Beatriz Pessoa fala sobre a ausência de verbas que levou à locações sem custo como ônibus, metrô e bares que muitas vezes são cenários para situações de violência.
Ela também comenta a escolha narrativa que sugere uma reflexão sobre a violência e o silêncio. "Acabamos optando por colocar os depoimentos narrando as violências sofridas mas sem mostrá-las de fato. A ideia foi trazer a questão da ausência e do silêncio que ao mesmo tempo fazem a violência muito presente", relata Beatriz.
Durante a entrevista, ela destaca ainda a dificuldade para superar estereótipos de uma cultura machista que ainda mantém a sociedade refém."Grande parte dos esterótipos que temos são pautados numa visão muito patriarcal do mundo, numa linguagem muito machista e acabam se tornando sinais de identidade. Quando se tem símbolos identitários muito estereotipados fica mais difícil o processo se libertar desses padrões", conclui a diretora.
Sobre a produção
Programa voltado para as produções audiovisuais de duração reduzida, o Curta em Cena exibe semanalmente filmes que representam esse universo da sétima arte brasileira. Apresentada pela jornalista Tâmara Freire, a atração recebe diretores, produtores e especialistas para comentar os curtas. A proposta é agregar mais informação sobre o contexto da criação e da realização de cada obra.
Serviço
Curta em Cena – sábado, dia 4, às 23h, na TV Brasil