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Acervos de emissoras públicas e privadas são tema de debate no 7º Simpósio Nacional do Rádio

Simpósio é realizado até esta sexta-feira (22), no Rio de Janeiro (RJ)
21/05/2026
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15:35
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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A importância histórica dos acervos das emissoras públicas e privadas e os desafios para preservar, organizar e ativar esse patrimônio foram assunto de mesa temática na manhã desta quinta-feira (21), durante o 7º Simpósio Nacional do Rádio, na Sala Funarte Sidney Miller, no Rio de Janeiro (RJ).

A programação segue até sexta-feira (22) e é organizada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), por meio da Rádio Nacional, em parceria com o Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Em 2026, o encontro celebra os 90 anos da Rádio Nacional.

Com o tema “Importância histórica dos acervos das emissoras públicas e privadas: como preservar e ativar?”, a mesa contou com a participação de Cesar Miranda Ribeiro, presidente da Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS-RJ); e de Maria Carnevale, gerente de Acervo e Pesquisa da EBC. A mediação foi conduzida pelo jornalista e apresentador Dylan Araujo, da EBC.

Durante a ocasião, os participantes destacaram que os acervos radiofônicos e audiovisuais não devem ser compreendidos apenas como arquivos históricos, mas como fontes de conhecimento, pesquisa, educação e produção de novos conteúdos. A preservação desses materiais, segundo os debatedores, exige políticas contínuas de catalogação, digitalização, conservação e ampliação do acesso público.

Maria Carnevale defendeu que a preservação da memória deve ser uma preocupação compartilhada por diferentes áreas das instituições, e o cuidado com os acervos não deve se restringir às equipes diretamente responsáveis por esse trabalho. “É sempre muito bom ter espaço para falar de memória e acervo, porque precisamos desenvolver essa consciência da preservação em todo o conjunto de profissionais”, afirmou a gerente de Acervo e Pesquisa da EBC.

Em sua apresentação, Carnevale destacou a trajetória da Rádio Nacional, que completa 90 anos em setembro, em consonância com o tema do 7º Simpósio Nacional do Rádio. A gerente apresentou a EBC, seus veículos e produtos, e exibiu áudios históricos do acervo da empresa, a exemplo de radionovelas e transmissões esportivas.

A gerente também relembrou o processo de reorganização do acervo da EBC no Rio de Janeiro. Antes de 2016, o material estava distribuído em diferentes locais, inclusive no Edifício A Noite, antiga sede da Rádio Nacional. Foi necessário transferir para a nova sede mais de 5 mil acetatos, que somavam cerca de duas toneladas de material. “Reunir o acervo em um único prédio para conseguir monitorar e tratar melhor esse material era uma questão vital”, explicou.

Entre os principais desafios apontados por Carnevale na preservação dos acervos estão a obsolescência dos suportes analógicos, a velocidade das mudanças tecnológicas e o volume do material herdado pela empresa.

Preservação de memórias

Apesar das dificuldades, a gerente ressaltou que a preservação do acervo permite gerar novos produtos, retomar conteúdos históricos, licenciar materiais e ampliar as formas de circulação, inclusive em formatos como videocasts e podcasts. “Lembrem-se sempre: a gente está produzindo memórias e histórias hoje. Não é só olhar para trás. O acervo é vivo e precisa circular, gerar novos conhecimentos, produtos, chegar à sociedade brasileira e ao mundo”, declarou.

O presidente do MIS-RJ, Cesar Miranda Ribeiro, apresentou o trabalho desenvolvido pelo museu na preservação de diferentes acervos e destacou a importância da articulação entre instituições para ampliar o acesso à memória da comunicação brasileira.

Segundo Ribeiro, o MIS-RJ reúne, desde a década de 1970, um conjunto expressivo de materiais doados ao museu, de diferentes tipologias. “Nós temos hoje 53 mil itens, doados desde a década de 70. Isso é muito importante porque complementa a própria preservação que a Rádio Nacional faz do seu conteúdo”, afirmou.

O presidente do MIS-RJ também ressaltou o papel dos pesquisadores na interpretação e valorização dos acervos. Para ele, a pesquisa permite revelar informações históricas, culturais e sociais presentes nos documentos. “Eu tenho um respeito muito grande pelo pesquisador. Por do trabalho dedicado que ele faz, por exemplo, uma partitura pode revelar uma mensagem importante de uma época. É o pesquisador que nos traz isso”, destacou.

Ao tratar da cooperação entre instituições, Cesar Miranda Ribeiro afirmou que a integração de esforços entre diferentes esferas fortalece a preservação da memória e beneficia diretamente a população. “Com essa soma, quem ganha é a sociedade. Seja na esfera federal, municipal ou estadual”, apontou.

Outro ponto em destaque foi o uso da inteligência artificial. Cesar Miranda Ribeiro deu exemplos de como ela está sendo usada no MIS-RJ e comentou que a instituição desenvolveu um protocolo para uso da tecnologia. “A inteligência artificial não veio para matar a criatividade, mas sim para ser uma ferramenta de uso”, concluiu.

“A tecnologia tem que ser usada como uma força, um braço amigo para quem trabalha com preservação. De fato, a catalogação e a transcrição feita por um ser humano pode demorar muito mais (...) Mas é preciso ter atenção. Quando você usa um software para fazer a transcrição, ela ainda vem cheia de erros. Precisa de um esforço humano para fazer a revisão desse material. A tecnologia beneficia, mas não tem mágica: tem esforço humano, que precisa pensar e atuar no processo de correção”, ponderou Carnevale.