Programação

Caminhos da Reportagem discute os discursos de ódio contra as mulheres na internet

Programa da TV Brasil vai ao ar nesta segunda-feira (9), às 23h, e faz referência ao Dia Internacional da Mulher
06/03/2026
|
13:15
compartilhar notícia
Capa da Notícia
Divulgação/TV Brasil

O programa premiado Caminhos da Reportagem apresenta, nesta segunda-feira (9), a edição “A Nova Roupa do Machismo”, que traz a discussão sobre a monetização e estimulação do discurso de ódio contra as mulheres na internet. A atração jornalística vai ao ar às 23h, na TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

As estratégias são muitas para transformar mulheres em alvos digitais: memes, ameaças, dados vazados, deepfakes pornográficos. De acordo com os especialistas, o que acontece no ambiente virtual é reflexo da sociedade fora da internet e vice-versa, mas com um agravante: o discurso de ódio online gera engajamento, vende e rende lucros para misóginos e plataformas digitais.

Em 2025, o Brasil bateu todos os recordes em casos de feminicídio, com 4 mulheres mortas por dia, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Embora ainda não seja possível fazer uma correlação com o aumento do discurso de ódio na internet, é possível afirmar que a violência de gênero tem aumentado dentro e fora das telas.

Um levantamento do Desinfo.pop, da Fundação Getúlio Vargas, monitorou 85 comunidades virtuais de redes de ódio. Os pesquisadores verificaram que de 2019 a 2025 houve um crescimento de quase 600 vezes no compartilhamento de conteúdo misógino. Para a pesquisadora Julie Ricard, o diagnóstico é que há homens que se sentem atacados pelo poder conquistado pelas mulheres. “Eles estão quase numa missão de se proteger”, analisa.

A produção do Caminhos da Reportagem conversou com a musicista Bruna Volpi, que foi um desses alvos por ironizar o comportamento masculino nas redes sociais. Em uma das mensagens que recebeu, um executivo de uma empresa da qual a vítima era cliente disse que tinha os dados dela e a ameaçou. “Um homem que se ofende porque eu estou falando que nós merecemos viver é um potencial perigo para a sociedade”, afirma.

A Safernet, organização não-governamental referência de proteção de direitos digitais no país, percebeu um aumento de 220% no número de denúncias de crimes online de misoginia entre 2024 e 2025. “As mulheres não aceitam mais o destino que o patriarcado tinha legado a elas e isso é compreendido pelos homens como um ataque à masculinidade deles”, acredita a escritora Márcia Tiburi.

Lola Aronovich é vítima de masculinidade digital há mais de 15 anos, sofrendo ataques por seu blog feminista. Até mesmo um site foi criado para difamá-la e vazar seus dados. Dois homens foram condenados; um reincidiu e tornou-se o primeiro preso no país por terrorismo digital, hoje cumprindo 41 anos de prisão.

O caso impulsionou a criação da Lei 13.642/2018 (Lei Lola), que atribuiu à Polícia Federal a investigação de crimes digitais misóginos. Segundo o delegado Flávio Rolim, coordenador de Combate a Crimes Cibernéticos de Ódio, da Polícia Federal, são crimes de “discursos e postagens que normalizam a violência e fomentam práticas extremas contra a mulher, como homicídios e estupro”.

Avanços e recuos

Em janeiro deste ano, a Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e Threads, passou a permitir acusações de “anormalidade mental relacionadas a gênero ou orientação sexual”. “É um retorno ao tal conceito de ‘liberdade de expressão’ inicial quando a empresa foi criada para justificar uma menor moderação de temas que eles consideram de minorias”, explica Julie Ricard, pesquisadora em estudos de gênero. “A gente sabe que ódio gera engajamento e que essa é a máquina deles, de manter as pessoas conectadas o máximo possível”, complementa.

No Brasil, não há ainda uma lei que criminalize a misoginia. Mulheres, como a comentarista e analista de games Laysa Pinto Brandão, conhecida nas redes como Lahgolas, e a jornalista esportiva e narradora Luciana Zogaib sofrem com o discurso de ódio, principalmente por estarem em áreas predominantemente masculinas. “Ter uma legislação coibiria um pouco mais, a pessoa passa a pensar duas vezes antes de fazer aquele tipo de coisa, em especial os valentões que se acham acima da lei”, defende Laysa.

Ficha técnica

Reportagem: Ana Graziela Aguiar

Produção: Acácio Barros

Apoio produção: Hiago Rocha (TV Ufal)

Reportagem cinematográfica: JM Barboza

Auxílio técnico: Rafael Carvalho

Apoio imagens: Jefferson Pastori (SP), Eduardo Domingues (SP), Gilson Machado (RJ), Eusébio Gomes (RJ), Rodolpho Rodrigues (RJ), Eduardo Guimarães (RJ), André Rodrigo Pacheco (DF), Sigmar Gonçalves (DF) e Deco Monteiro (Ufal)

Apoio auxílio técnico: Caio Araujo (RJ) e Dailton Matos (DF)

Edição de texto: Carina Dourado

Montagem e finalização: Rivaldo Martins

Arte: Aleixo Leite

Sobre o programa

No ar desde 2008, o Caminhos da Reportagem é uma das produções jornalísticas brasileira mais prestigiadas pelo público e a crítica. No final de 2025, o programa da TV Brasil ultrapassou a marca de 100 prêmios recebidos. Os reconhecimentos atestam a relevância editorial, a qualidade jornalística e o compromisso da equipe com reportagens aprofundadas sobre os mais variados temas de interesse público.

Exibido às segundas, às 23h, o Caminhos da Reportagem tem horário alternativo na madrugada para terça, às 2h30. A produção disponibiliza as edições especiais no site http://tvbrasil.ebc.com.br/caminhosdareportagem e no YouTube da emissora pública em https://www.youtube.com/tvbrasil. As matérias anteriores também estão no aplicativo TV Brasil Play, disponível nas versões Android e iOS, e no site http://tvbrasilplay.com.br.

Ao vivo e on demand

Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica. Sintonize: https://tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar.

Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, pelo site http://tvbrasilplay.com.br ou por aplicativo no smartphone. O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV: https://tvbrasil.ebc.com.br/webtv.

 

Serviço

Caminhos da Reportagem - “A Nova Roupa do Machismo” – Segunda-feira (8), às 23h, na TV Brasil

Site – https://tvbrasil.ebc.com.br
Facebook – https://www.facebook.com/tvbrasil
Instagram – https://www.instagram.com/tvbrasil
YouTube – https://www.youtube.com/tvbrasil
X – https://x.com/TVBrasil
TikTok – https://www.tiktok.com/@tvbrasil
TV Brasil Play - http://tvbrasilplay.com.br