Comitês de Participação Social da EBC criam novos grupos de trabalho
Os comitês de participação social da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) aprovaram a criação de quatro Grupos de Trabalho (GT). Eles vão se dedicar a debater a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), mecanismos de acessibilidade na programação dos veículos da EBC, diversidade e sobre manual de jornalismo. A reunião conjunta do Comitê Editorial e de Programação (Comep) e do Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão (Cpadi) que definiu a criação dos grupos ocorreu na última quarta-feira (25) de forma híbrida.
Em janeiro, os comitês já tinham criado três Câmaras Temáticas para analisar diferentes questões referentes à empresa responsável pelo sistema de comunicação pública no país. Elas são a Câmara Temática de Jornalismo, que trata do conteúdo jornalístico da EBC; a Câmara Temática de Programação, que trata de todos os produtos não jornalísticos da Empresa, nos diferentes formatos e gêneros; e a Câmara Temática de Processos Institucionais, que trata do acompanhamento das questões que envolvem as estratégias de gestão da EBC. Os grupos de trabalho ficarão vinculados a suas Câmaras Temáticas correspondentes ao tema.
Rede Nacional de Comunicação Pública
O tema da RNCP foi levantado por Welder Alves Pedroso, representante da TV Encontro das Águas no Cpadi. Para ele, a RNCP passa por um momento importante de ampliação e é importante “uma discussão mais profunda” sobre o investimento nessas novas emissoras, com base na regulamentação da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP). "É preciso pensar na questão do fomento, na busca por investimentos, para que essas novas emissoras integrantes da RNCP possam contratar equipes técnicas, fazer aquisição de equipamentos e possam, de verdade, colocar em prática a produção audiovisual em seus territórios", avaliou Pedroso.
Atualmente, a Rede Nacional de Comunicação Pública possui 166 emissoras de rádios e 165 de televisão, em mais de 2 mil municípios do país. Por sua lei de criação, a EBC é responsável pela coordenação dessa Rede.
A gerente-executiva de Integração de Conteúdos e Rede da EBC, Lídia Neves, elogiou a criação do GT e disse que a empresa está ao dispor das instâncias de participação social para cooperar com a produção de relatórios. "Temos uma mudança de paradigma neste momento, com uma ampliação grande da Rede. Então, esse debate de fato é muito importante. Espero que possamos avançar em cima dessas preocupações", afirmou.
Acessibilidade
Também foi aprovada a criação de um Grupo de Trabalho sobre acessibilidade. "A ideia é que esse GT faça um diagnóstico do que já existe nos veículos da EBC e depois apresente um documento com sugestões de melhoria", resumiu a presidente do Cpadi, Ana Fleck.
A iniciativa surge da sugestão de Karem Resende, representante do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) no Cpadi. "O compromisso de uma TV pública não é apenas transmitir, é garantir que a mensagem chegue, e de forma acessível", relatou a integrante do Cpadi, que é deficiente visual.
Programação infantil
A programação infantil da EBC também foi tema da reunião. A professora Juliana Doretto, representante da comunidade científica e tecnológica no Cpadi, avalia que a criação de um GT para programação infantojuvenil pode ser importante para a EBC avançar ainda mais nessa área.
“A TV Brasil já tem uma programação infantil que é interessante, mas entendo que é necessário avançar com produtos de educação midiática e também na área do jornalismo para esse público. É direito da criança e do adolescente o acesso à informação jornalística de qualidade”, lembrou.
Diversidade
A representante da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) no Cpadi, Janaína Oliveira, aproveitou a reunião para levantar o tema da diversidade dentro da estrutura da empresa e da programação de seus veículos. “O resultado do recadastramento, divulgado neste mês, mostra que ainda há uma baixa representatividade na estrutura da empresa, principalmente em cargos de liderança”, disse.
Os participantes do GT de Diversidade trabalharão com o apoio do Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da EBC (Proeq), para fazer um diagnóstico e apontar caminhos para melhorar a representatividade de minorias na empresa e na grade de seus veículos. “O trabalho do Comitê avançou em questões de formação, de capacitação, com cursos de letramento racial e o próprio recadastramento, mas queremos sair desse campo só de capacitação para avançar de modo mais estruturante, com normativos mais eficazes que promovam, de verdade, a diversidade dentro da empresa”, disse Kariane Costa, integrante do Proeq. “Os dados do recadastramento soam um alerta importante e nós já levamos isso para a direção da empresa, que tem dado um feedback positivo às nossas demandas nesse primeiro momento.”
Educação midiática e Manual de Jornalismo
O debate sobre educação midiática se aprofundou a partir da fala de Karina Barbosa, representante da SOCICOM - Federação Brasileira de Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação no Cpadi. Para ela, a EBC, como empresa de comunicação pública, deveria criar uma política de educação midiática para ajudar a população, principalmente crianças e idosos, a navegarem no atual ambiente de desinformação.
“Também precisamos atualizar o Manual de Jornalismo da EBC, que é um manual de referência, tem uma qualidade ímpar, mas não fala de temas muito atuais, como Inteligência Artificial e crise climática, por exemplo”, avalia. Nesse sentido, foi decidido também criar um grupo de trabalho para propor revisões ao Manual de Jornalismo da EBC, que incorporem a questão da educação midiática.
Sistema de Participação
A reunião conjunta recebeu, ainda, a secretária Nacional de Participação Social, Izadora Brito, da Secretaria Geral da Presidência da República (SGP). A SGP é o órgão de governo responsável pelo acompanhamento e articulação de institutos de consulta e participação social na gestão pública. Foi quem deu apoio aos processos eleitorais de escolha dos integrantes de Comep e Cpadi.
"A nossa função como Secretaria Nacional de Participação Social é acompanhar todas as instâncias de participação social do governo, não é uma tarefa simples. Esses espaços sempre saem com formulações e encaminhamentos importantes que têm sido determinantes para a criação de novas políticas públicas".
A secretária informou que estão aguardando orientações gerais de governo sobre a conduta dos conselhos de participação durante o período eleitoral e sugeriu que a empresa também debata o mesmo tema para seus comitês.