EBC abre 7º Simpósio Nacional do Rádio com debates sobre perspectivas para o veículo e protagonismo feminino
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) - por meio da Rádio Nacional - realiza o 7º Simpósio Nacional do Rádio entre os dias 20 e 22 de maio na Sala Funarte Sidney Miller, no histórico Palácio da Cultura Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, em parceria com o Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom.
Com o mote, "Rádio Nacional 90 anos: memória, inovação e futuros da mídia sonora", o evento aberto ao público celebra as nove décadas da emissora pública, marco histórico da radiodifusão e uma das instituições mais emblemáticas da história da comunicação brasileira.
O simpósio reúne pesquisadores, estudantes, profissionais e especialistas para debater os desafios contemporâneos do rádio, seu papel social, sua evolução estética e tecnológica, e os caminhos possíveis para o futuro da mídia sonora em um ambiente cada vez mais marcado pela plataformização, pela inteligência artificial e por novas formas de escuta.
Em 2026, o encontro ganha um significado especial ao celebrar os 90 anos da Rádio Nacional. A emissora fundada em 1936 foi protagonista na constituição de linguagens, formatos, públicos, imaginários e políticas do rádio no Brasil. A Rádio Nacional exerceu papel central na formação cultural do país e na consolidação da radiodifusão como serviço de interesse público.
O 7º Simpósio Nacional do Rádio convida a comunidade acadêmica a refletir sobre as continuidades e rupturas da mídia sonora, articulando passado, presente e futuro. A pauta analisa como os legados históricos orientam o rádio contemporâneo e de que forma as inovações tecnológicas, políticas e culturais reconfiguram o papel do rádio público, comercial, comunitário, universitário e digital. A ideia do evento é pensar os futuros possíveis - e desejáveis - para a mídia sonora em um ecossistema comunicacional em constante transformação.
Conferência de Abertura
O programa da primeira tarde iniciou com a Conferência de Abertura que teve como tema "Do AM ao streaming: a reinvenção do rádio brasileiro". A palestra foi proferida pelo experiente jornalista Heródoto Barbeiro. A sessão foi apresentada pelo professor Alvaro Bufarah, coordenador do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom. A mediação foi realizada pela Gerente Executiva de Integração de Conteúdos e Rede da EBC, Lídia Neves.
O jornalista Heródoto Barbeiro traçou um panorama sobre a importância do rádio no presente e sua perspectiva para o futuro ao refletir sobre como as mudanças digitais influenciam a plataforma de mídia sonora. "A tecnologia mudou. A comunicação auditiva, que é o rádio, permanece para sempre. Enquanto o ser humano se comunicar pelo sentido da audição isso é rádio", explica o profissional.
Ele aprofunda esse processo de transformação. "O rádio não necessariamente se propaga pelas ondas do AM ou FM, exclusivamente. Estamos saindo do 'on air' para o 'on line'. Deixamos de ouvir pelo aparelho de pilha, que ainda existe, e ouvimos pelo celular, simultaneamente nas redes sociais", analisa o convidado.
"O rádio passou a ser menos propagado pelas ondas eletromagnéticas para o bites e bytes. Eles carregam a informação, a notícia, o entretenimento, as comunicações que nos chegam através da audição", sugere Heródoto Barbeiro que ainda destaca a tendência dos podcasts.
Mesa Especial sobre a Rádio Nacional
O evento trouxe a Mesa Especial com o tema "Rádio Nacional e a construção da identidade cultural brasileira". O bate-papo reuniu a professora Valci Zuculoto, da UFSC; a radialista Mara Régia, da Rádio Nacional da Amazônia; o jornalista Octávio Costa, Presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a narradora Luciana Zogaib, da Rádio Nacional. A mediação foi da professora Norma Meireles, da UFPB.

A radialista Mara Régia contagiou a plateia não só com sua fala instigante sobre o alcance e a perspectiva humana da comunicação, mas também com uma performance em que regeu o público com os sons dos rios, dos pássaros e da chuva que cativam os povos amazônicos.
Com uma fala emocionante, ela compartilha seu conhecimento na vivência de 45 anos na Rádio Nacional da Amazônia. "Os pilares do rádio são a emoção, tocar onde os olhos não chegam; a imaginação, o rádio não mostra, ele desperta; a educação, ensina onde a escola não chega; e a cidadania, dá voz a quem não é ouvido".

Já a narradora Luciana Zogaib revelou os desafios para as mulheres ingressarem no mercado de trabalho das transmissões esportivas nos veículos de comunicação. Ela foi a primeira mulher a narrar na emissora pública uma partida de futebol durante a jornada. "Ser a primeira voz feminina a transmitir os jogos de futebol na Rádio Nacional é uma quebra de paradigma. Isso vem da escuta. Espero que esse exemplo inspire mais meninas", ressalta a profissional.